Viva os rankings
Imagine um hipermercado gigantesco, sem prateleiras. E com todos os produtos
lá dentro. E a sua organização feita apenas pelo preço. Do mais caro até o mais barato.
Pronto. Numa visão simples de entendimento é assim que nosso Mercado publicitário está organizado hoje.
Um Mercado publicitário do tamanho do Brasil não pode ter apenas um critério para a classificação de suas agências. Dinheiro.
Em 2011 o Mercado Publicitário como um todo está se preparando para o inicio de uma década de ouro.
As grifes badaladas e endinheiradas estão vindo pra cá, impulsionadas pelos índices econômicos atuais, e pela perspectiva que esses números vão se manter por um bom tempo enquanto a economia dos Estados Unidos e da Europa demoram na arremetida.
Os grandes grupos vão as compras com apetite numa profusão de bons negócios.
Profissionais daqui abrem novos negócios. Se bem que poucos são de criação. A maioria ainda prefere o conforto da vitrine eterna, em vez de encarar a dureza do negócio. Mas existem exceções.
Os departamentos de marketing dos clientes também se estruturam.
A área toda se profissionaliza. A época do protagonismo brasileiro em meio ao mercado publicitário global chegou.
Porém, todo esse frenesi de talentos e bons negócios que obedecem a vários critérios, fica alinhado por apenas 1. O quanto as agências faturam por ano.
E só.
Num Mercado 2.0, precisamos de uma imprensa especializada que também o acompanhe.
Dia desses, vi uma edição especial da Advertising Age: The Book of Tens.
Ao folhear, percebi o trabalho incrível da Advertising Age em catalogar, categorizar, separar e elencar o que o Mercado tem de melhor, o que pensa de melhor. E não só o ranking de faturamento.
O The Book of Tens é a memoria ativa do Mercado Americano em 2010. O HD do PIB publicitário ianque. Um mercado algumas vezes maior que o nosso mas que passou da fase monotemática do dinheiro. E justo os Estados Unidos, onde o assunto e a importancia do dinheiro são sagrados.
É que nessa análise tecnica e abrangente do Mercado está a estratégia por trás da estratégia.
O prestígio do reconhecimento vem primeiro e depois vem os bons negócios.
Ao elencar vários critérios, a Advertising Age, estabelece novos players para o Mercado.
Coloca luz sobre talentos que nunca escapariam da sombra que os bilhões de dinheiros projetam no nosso Mercado. A luz forte do dinheiro nem sempre é a mais bela, ou mais preciosa.
Aliás, o problema não é o ranking atual falar de faturamento, com suas verdades voláteis, descontos, contabilidades de grupos no nome de empresas, etc.
O problema é ter apenas um ranking.
Porque não termos vários rankings?
Muitos.
Porque não organizar e contextualizar essa ebulição de prestadores de serviço do país? Como faz a Advertising Age com o The Book of Tens?
Tal atitude pode empacotar, embelezar e emoldurar o Mercado. Para o seu próprio bem e desenvolvimento.
Imagine uma publicação anual, editada por um grande jornal de publicidade, preparada durante meses, estudada, analisada, onde não haveria prêmio, inscrição ou dinheiro. Nem anúncio. Apenas critérios de seleção, corte técnico e constatação do que se faz de melhor no país.
Imagine essa publicação com os 10, ou 15 fatos mais relevantes do ano.
Pequenas agências aqui, que são relevantes lá fora poderia ser uma categoria. Quem seriam as 10 melhores nisso?
Medias agências que são completamente nacionais e não contam com alinhamento. Quem, quais as melhores?
As alinhadas.
Os 10 virais nacionais mais vistos.
Os 10 melhores artigos sobre publicidade do ano. Os mais relevantes.
As agências que mais ganharam prêmios.
As que menos inscreveram e mais ganharam prêmios.
Sim, a estratégia de escrever pouco e ganhar o máximo possível dentro do pouco que se inscreveu pode ser uma saída.
Poucas empresas possuem 1 milhão de dolares para investir em prêmios em larga escala. Mas será que ali não tem uma estatistica que revele algo bom para o Mercado?
E quem só inscreve em premios nacionais.
Os 10 melhores video cases do ano.
Os 10 jovens talentos que se deve prestar atenção.
Os 10 líderes da publicidade, independente se são acima ou abaixo dos 40 anos. 42 anos pode ser um corte bom.
Os 10 profissinais de marketing mais inovadores.
ETC.
Imagine como essa iniciativa pode reorganizar um Mercado como o nosso.
E claro, essa uma proposta fácil de esculhambar. Mas se bem feita pode ser boa para todos.
Dinheiro é fundamental, mas sem prestígio você não chega a lugar nenhum. E vice versa.
Acredito que a diversidade de indicadores seria a melhor maneira de colocar o tema.
Das 100% nacionais, aquelas com 300, 200, 100 funcionários. 70 funcionários.
As recem abertas. As mais antigas. As mais inovadoras.
Quais foram as agências que mais se destacaram no ano, em prêmios?
Sim, mas também em ações mais lembrada. Os trabalhos com mais views?
Quais empresas investiram mais em treinamento de seus funcionários?
Quais campanhas fizeram mais sucesso?
A imprensa especializada pode realizar algo realmente novo no Brasil. Realmente espetacular. Estudar as estruturas, entender os movimentos do Mercado. Entender o valor da inovação e da modernidade. E editar isso de maneira independente, séria e construtiva para o Mercado.
E essa mudança de avaliação valeria também para as pessoas físicas que estão por trás das jurídicas.
Os 10 clientes mais ousados, os 10 profissionais mais inovadores, os 10 redatores que se deve prestar mais atenção. 10 profissionais de criação que se aventuraram em projetos criativos for a da publicidade. Os 10 assuntos que você precisa saber, etc. Uma radiografia completa do Mercado, separada por prateleiras numeradas e organizadas. Um índice do ano.
Numa época em que sabemos que será farta em negocios, aquisições e fusões, é preciso arrumar os espaços tanto para as agências quanto para os melhores profissionais.
A publicidade como área profissional precisa ser cada vez mais atrativa, honesta, charmosa e brilhante. As classificações vindas de uma imprensa séria, junto a analistas competentes poderiam dar um outro patamar ao Mercado.
A memória da propaganda brasileira assim se perpetua também, de maneira espontânea. Saber quais os 10 fatos mais importantes que marcaram o mercado naquele ano. Quais os 10 maiores movimentações de contas, as 10 agências regionais com trabalho mais marcante, etc…
Quem se habilita a arrumar as prateleiras desse Mercado e a multiplicar o seu valor?
Flávio Waiteman
flaviowaiteman@mac.com